É um mundo negro, belo e sedutor :
Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...
Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d'água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo ser alegre
seu triste fado.
Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida -
a vida mera
das obscuras!
poesia de Cora Coralina
Todas as Vidas

Essa Iyá me traz muitas recordações.
Uma delas foi o querido amigo Claudio D´Avila - Oxalufã (já falecido), que me ensinou tanta coisa bacana.
Ele me apresentou para o Aulo Barretti com quem aprendi um bocado.
Essa foto eu fiz num Olubajé na casa dela ha trocentos anos atras.
Ela faleceu recentemente.
Eparrei Oyá !

Isso foi em 83, na minha primeira viajem a São Luis do Maranhão.
Essas mulheres me receberam com grande carinho.
Eu adoro o povo maranhense, são educados e finos.
E requintados.

Eu fiz varios paineis como esse.
Misturei tinta latex com pó xadrez para dar um fundo.
Cada um com uma côr diferente.
Ficou bem bacana.
E fiz esse grafitti com imagens relacionadas às cantigas de erês (ibejis).
Depois dessa podem me chamar de "Alex Vallauri" da umbanda.
Aqui a o frango assado da rainha é oferecido aos orixás.